Ao longo da história, a Copa do Mundo frequentemente conviveu com contextos políticos controversos. Desde cedo, o futebol aceitou regimes autoritários como anfitriões. Ainda assim, cada edição aprofunda o debate sobre limites éticos.
Em 1934, por exemplo, a Itália de Benito Mussolini já vivia sob um regime totalitário. Mesmo assim, o país sediou o Mundial, transformado em vitrine política. Além disso, o ditador utilizou o torneio para exibir poder e reforçar ambições expansionistas.
Décadas depois, em 1978, a Argentina repetiu o roteiro. Naquele momento, a junta militar de Jorge Rafael Videla controlava o país com repressão, tortura e desaparecimentos. Apesar disso, a Copa aconteceu normalmente, enquanto dirigentes internacionais ignoraram denúncias.
Mundiais e regimes: um histórico que se repete
Com o passar dos anos, o padrão se manteve. Em 2018, a Rússia sediou a Copa após anexar a Crimeia e apoiar conflitos regionais. Ainda assim, a Fifa manteve o evento sem questionamentos públicos relevantes.
Mais recentemente, o Catar recebeu o Mundial de 2022. Nesse caso, denúncias de corrupção, mortes de trabalhadores e violações de direitos humanos marcaram o torneio. Mesmo diante disso, a competição ocorreu conforme planejado.
Agora, as ações dos EUA expõem constrangimento da Copa de 2026. O ataque militar à Venezuela, somado a ameaças diplomáticas e tensões regionais, recolocou o futebol no centro de uma crise moral.
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EUA ampliam tensão política às vésperas do torneio
Nos últimos meses, os Estados Unidos adotaram postura agressiva na política externa. Além da ofensiva contra a Venezuela, o governo norte-americano elevou tensões comerciais e ameaçou aliados estratégicos.
Ao mesmo tempo, a Fifa manteve apoio institucional irrestrito. Por isso, crescem críticas sobre coerência entre discurso de direitos humanos e decisões práticas da entidade.
Embora o torneio também envolva Canadá e México, na prática, os Estados Unidos concentram jogos decisivos e protagonismo político. Consequentemente, o país assume o centro das atenções globais.
Assim como ocorreu em edições anteriores, o futebol novamente serve como palco simbólico. Portanto, a Copa de 2026 se insere em uma sequência de Mundiais associados a interesses de poder.
As ações dos EUA expõem constrangimento da Copa de 2026 porque revelam um padrão recorrente. O futebol global, cada vez mais, funciona como instrumento de legitimação política.
Por fim, quando o tempo oferecer distanciamento histórico, provavelmente, a Copa de 2026 figurará ao lado das edições mais questionadas. Não pelo jogo, mas pelo contexto que a cercou.
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