Lewis Hamilton é heptacampeão de Fórmula 1 e o único negro do grid. Essa realidade se espelha não apenas nos pilotos, mas também nas outras pessoas que trabalham no paddock, portanto nas equipes e nos autódromos. O britânico investigou essa lacuna de diversidade com a ideia de trazer mais oportunidades para pessoas que não são brancas na área do automobilismo, portanto, criou o Mission 44.
Comissão Hamilton – antes do Mission 44
Em 2021, a Comissão Hamilton fez uma pesquisa profunda sobre a participação de pessoas negras na F1. Eles iniciaram o trabalho um ano antes, em parceria com a Real Academia Britânica de Engenharia. Antes mesmo disso, Lewis conta que via as fotos de fim de ano e se sentia desanimado por não ver outras pessoas como ele, e que isso o inspirou. Portanto, para exigir a mudança, ele tinha que saber o problema; portanto, a Comissão Hamilton foi criada.
O resultado foi que, de 40 mil pessoas envolvidas na categoria, apenas 1% delas se identifica como pertencente a minorias raciais. Essa realidade se inicia ainda na escola. Crianças negras recebem menos incentivo de parentes e professores nas áreas de exatas. Além disso, nem se imaginam trabalhando com o esporte.
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O automobilismo é um esporte elitista; portanto, mais pessoas brancas e com boas condições financeiras possuem acesso. Geograficamente, os kartódromos e autódromos ficam longe de locais em que a população preta se encontra, reflexo do racismo estrutural que ainda afeta a população preta.
Por não verem com frequência pessoas não-brancas, isso reforça a restrição e elitização do esporte. A falta de representatividade no paddock cria uma distância entre as crianças e adolescentes pretos ao quererem se inserir no meio.
Além disso, o documento da pesquisa traz declarações de engenheiros negros, os quais são diariamente tratados de maneira diferente e ouvem “piadas” de cunho pejorativo pela sua cor de pele.
A pesquisa prova que, com o passar dos anos, o interesse de inserção na F1 diminui:
46% dos adultos entrevistados não sabem como se inserir, 37% alegam que não é um local para eles, enquanto 34% não conhecem referências na área, o que traz um desânimo.
A necessidade de criação do Mission 44
Para mudar esse cenário, Hamilton criou a Mission 44, na qual ele investiu cerca de 121 milhões de reais. Lewis já fez ações em alguns grandes prêmios, como o de Silverstone e o do Brasil. A iniciativa visa incentivar e apoiar pessoas negras, além de incentivar cargos de chefia a promover a equidade esportiva.
Além disso, sugere que as próprias equipes expandam os processos seletivos e garantam que não haja privilégios discriminatórios, criando projetos que orientem engenheiros não brancos que estejam começando a carreira.
No ano de 2023, em São Paulo, Lewis realizou uma das ações. O piloto da Ferrari levou participantes do Uneafro Brasil, do Centro Educacional Assistencial Profissionalizante (Ceap) e da Ação Educativa para Interlagos. Assim, conversando com os engenheiros e o próprio heptacampeão, puderam relatar a realidade brasileira para ele.
Assim, Hamilton continua até hoje, em 2026, com esse projeto. Saiba mais em https://mission44.org/.
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