A queda da Itália já não provoca mais choque. O que antes era tratado como apocalipse virou rotina. A Azzurra está fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida e, desta vez, o sentimento não é de surpresa. É de resignação.
Porque, no fundo, o futebol italiano vem avisando há anos que esse roteiro estava sendo escrito.
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Fracasso na Copa revela crise que vem de longa data
A eliminação atual não nasce isolada. Ela é parte de uma sequência que começou ainda em 2010, quando a Itália já não conseguia mais impor seu peso histórico.
De lá para cá, o país acumulou quedas precoces, ausência em Copas e uma instabilidade que virou marca registrada. Ainda assim, demorou para que mudanças estruturais fossem tratadas com a urgência necessária.
Reformas promissoras morreram antes de acontecer
Houve, sim, uma tentativa de revolução. Naquele momento, nomes pesados como Roberto Baggio e Arrigo Sacchi foram chamados para repensar o futuro.
Inicialmente, Baggio liderou um projeto ambicioso para transformar a formação de jogadores. A proposta, por sua vez, envolvia padronizar métodos, modernizar a captação de talentos e, além disso, criar uma base sólida para o desenvolvimento a longo prazo.
Ao mesmo tempo, Sacchi defendia menos rigidez tática e, consequentemente, mais liberdade criativa nas categorias de base, buscando formar atletas mais completos e intuitivos.
Em teoria, portanto, parecia uma virada de chave histórica.
No entanto, na prática, não aconteceu.
Com o passar do tempo, o projeto perdeu força, encontrou resistência interna e, por fim, acabou abandonado. Diante desse cenário, Baggio deixou o cargo frustrado. Sacchi também saiu. Assim, o futebol italiano seguiu… praticamente igual.
Clubes simbolizam atraso estrutural
Enquanto outras ligas evoluíam, a Serie A ficou para trás em pontos fundamentais.
A questão dos estádios é um símbolo claro. Muitos clubes ainda jogam em arenas antigas, com pouca modernização e baixa geração de receita.
Projetos para novas estruturas avançam lentamente. Alguns demoram anos para sair do papel. Outros simplesmente fracassam.
Essa limitação financeira impacta diretamente a competitividade internacional.
E os resultados mostram isso.
Entre altos isolados e quedas pesadas
É verdade que ainda existem lampejos de grandeza. A Inter de Milão, por exemplo, chegou a finais recentes de Liga dos Campeões.
Além disso, jogadores italianos seguem se destacando em grandes clubes europeus.
Mas esses casos são exceções, não regra.
O cenário geral é de dificuldade. Clubes italianos têm menos força econômica que rivais ingleses, espanhóis e até alemães. E, em campo, isso aparece.
Goleadas, eliminações precoces e campanhas irregulares viraram parte do cotidiano.
Talento existe, mas sistema não acompanha
A Itália ainda produz jogadores de alto nível. Isso nunca deixou de existir.
O problema está em transformar esse talento em um projeto coletivo consistente.
Falta sequência, falta planejamento duradouro e, acima de tudo, sobra desorganização na execução.
E, enquanto isso, outras seleções evoluem com planejamento e estrutura.
Fracasso na Copa deixa de ser surpresa
Hoje, a ausência italiana já não é mais um acidente. É consequência.
Um reflexo de decisões adiadas, projetos abandonados e uma dificuldade histórica de se reinventar no tempo certo.
A Itália ainda carrega o peso de sua história. Mas, no futebol moderno, passado não ganha jogo.
E, se nada mudar de forma profunda, a velha tristeza pode continuar se repetindo… como uma música que ninguém aguenta mais ouvir, mas que insiste em tocar.
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