Pep Guardiola decidiu usar sua voz pública para ir além do futebol. Durante um evento beneficente em Barcelona, o técnico do Manchester City denunciou conflitos armados em diferentes regiões do mundo e fez um apelo direto à responsabilidade humana diante das mortes no Sudão, na Ucrânia e na Palestina.
Desde o início, Guardiola deixou claro que o debate ultrapassa fronteiras esportivas. Segundo ele, a abundância de informação torna impossível fingir ignorância diante da violência global. “Nunca na história da humanidade tivemos informações tão claras diante dos nossos olhos como agora”, afirmou.
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Guardiola cita Sudão, Ucrânia e Palestina
Ao citar o Sudão, porém, Guardiola destacou o sofrimento de civis em uma guerra civil que já provocou dezenas de milhares de mortes. Além disso, o treinador mencionou os conflitos de forma direta, tratando-os, portanto, como exemplos claros de um fracasso coletivo diante da inação internacional.
“O genocídio na Palestina, assim como o que aconteceu na Ucrânia e também o que acontece no Sudão, em tantos lugares… afinal, o que estamos fazendo diante disso?”, questionou. “Se as imagens estão diante dos nossos olhos, vocês querem ver? Porque, no fim das contas, é um problema nosso como seres humanos.”
Na sequência, Guardiola também abordou o drama dos deslocados e refugiados. Segundo ele, antes de qualquer debate político, existe, acima de tudo, uma obrigação moral. “As pessoas fogem de seus países, muitas vezes, entram no mar e, então, sobem em barcos buscando resgate. Nesse contexto, não pergunte se estão certas ou erradas. Primeiro, resgate-as. Afinal, são seres humanos.”
Apelo humanitário e responsabilidade coletiva
Além disso, o técnico reforçou que a indiferença amplia tragédias. Ele afirmou que a dor causada pelas imagens de guerra o afeta pessoalmente e o motiva a se posicionar.
“Quando vejo essas imagens, dói em mim. Dói muito”, disse. “Por isso, sempre que eu puder contribuir para uma sociedade melhor, vou tentar estar presente. É pelos meus filhos, pelas famílias, pelas crianças.”
Guardiola também defendeu a necessidade de justiça como condição básica para romper ciclos de violência. “Do meu ponto de vista, a justiça precisa ser feita. Caso contrário, tudo vai continuar como está”, declarou, ao criticar ações estatais que resultaram em mortes recentes nos Estados Unidos.
Futebol, voz pública e compromisso ético
Mesmo atuando em um clube ligado a interesses internacionais, Guardiola deixou claro que não pretende se calar. Para ele, o papel de figuras públicas não se limita ao entretenimento.
“Não existe sociedade perfeita. Nenhum lugar é perfeito. Eu também não sou”, afirmou. “Ainda assim, precisamos trabalhar para sermos melhores.”
Ao finalizar, Guardiola reforçou que sua posição não nasce de ideologia partidária, mas de empatia. “Quando pessoas estão morrendo, você precisa ajudar. Esse é o ponto.”
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