A Copa do Mundo de 2026 entra em seu estágio decisivo sob um cenário marcado por ingressos caros, viagens complexas e interferência política, fatores que já moldam o torneio.
Faltam seis meses para a final, marcada para 19 de julho, em East Rutherford, Nova Jersey. Até lá, o evento atravessará três países, quatro fusos horários e 16 cidades. Portanto, o desafio logístico será constante. Além disso, a experiência do torcedor já sofre impacto direto das decisões comerciais e políticas.
Ao mesmo tempo, a Fifa observa o torneio ganhar forma fora de campo. No entanto, o futebol ainda não ocupa o centro do debate. Em vez disso, preços, deslocamentos e decisões governamentais dominam a conversa global.
Ingressos caros e acesso restrito
Os ingressos da Copa de 2026 custam caro. Mais do que isso, afastam torcedores históricos. A Fifa adotou preços dinâmicos, prática comum na América do Norte. Assim, valores variam conforme a demanda.
Como resultado, partidas decisivas atingiram preços muito superiores aos vistos em 2022. Além disso, os ingressos mais baratos sofreram os maiores aumentos. Isso ampliou a sensação de exclusão.
Embora a entidade prometa reinvestir a receita no futebol global, críticas cresceram. Ainda assim, apenas uma fração mínima dos ingressos mantém preços populares. Portanto, o acesso real permanece limitado.
Enquanto isso, protestos surgem em diferentes frentes. Políticos locais pressionam a Fifa. Grupos organizados reclamam. Porém, o modelo segue intacto.
Viagens difíceis e barreiras migratórias
Viajar para a Copa de 2026 exige planejamento extremo. Chegar aos países-sede, circular entre cidades e acessar estádios impõe custos elevados. Além disso, a infraestrutura varia bastante.
Canadá e México mantêm políticas migratórias estáveis. Por outro lado, os Estados Unidos geram incertezas constantes. Novas regras surgem com frequência. Consequentemente, torcedores enfrentam dúvidas e atrasos.
Restrições de viagem afetam cidadãos de vários países classificados. Embora atletas tenham exceções, torcedores lidam com processos longos. Além disso, entrevistas rigorosas e exigências extras se tornaram comuns.
Ao mesmo tempo, passagens aéreas subiram. Hotéis encareceram. A recomendação de viagens terrestres ignora distâncias continentais. Assim, o deslocamento se tornou parte do problema.
Formato inchado e impacto esportivo
Dentro de campo, o torneio também muda. A Copa de 2026 contará com 48 seleções. Dessa forma, dois terços avançarão de fase. Isso altera a pressão inicial.
Por consequência, a fase de grupos tende a perder intensidade. Ainda assim, o mata-mata ampliado pode compensar. Jogos eliminatórios seguem como motor emocional do torneio.
Para seleções intermediárias, avançar deixou de ser façanha. Portanto, o conceito de sucesso esportivo será debatido. Isso deve gerar leituras divergentes durante a competição.
Trump, Fifa e o peso da política
A política atravessa a Copa de 2026 de maneira direta. Donald Trump mantém relação próxima com a Fifa. Além disso, recebeu prêmios simbólicos da entidade.
Enquanto isso, decisões do governo americano afetam o ambiente do torneio. Operações militares, retórica agressiva e tensões diplomáticas ampliam o desconforto internacional.
Diante disso, surge a pergunta central: até que ponto a política moldará a experiência da Copa? A resposta permanece aberta. No entanto, o risco já está presente.
A história mostra que grandes eventos esportivos refletem seu tempo. Portanto, a Copa de 2026 carrega marcas claras de seu contexto. O futebol seguirá em campo. Mas o entorno falará alto.
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