A atacante Katja Snoeijs transformou dor em alerta. A jogadora do Everton revelou que convive com a endometriose, condição que afeta milhões de mulheres no mundo.
Durante a última temporada, a holandesa precisou deixar o campo no intervalo após sentir dores intensas. Naquele momento, ela percebeu que não se tratava de algo comum. A partir daí, decidiu buscar respostas.
A história foi originalmente revelada em reportagem de Tom Garry, no The Guardian, mas ganha aqui um olhar ampliado sobre a luta e a conscientização.
Dor ignorada virou ponto de virada
Snoeijs conviveu com sintomas desde a adolescência. No entanto, como muitas mulheres, acreditava que eram apenas cólicas menstruais normais.
Com o tempo, a situação piorou. Além disso, as dores passaram a afetar diretamente seu desempenho dentro de campo. Em um treino com a seleção, ela sequer conseguiu correr.
“Era uma dor aguda e lancinante”, relatou a atacante. Ainda assim, tentou continuar jogando por muito tempo.
Esse comportamento, comum entre atletas, revela um problema maior. Muitas vezes, a cultura esportiva valoriza resistir à dor, mesmo quando o corpo pede ajuda.
Diagnóstico de endometriose expõe demora no sistema
A confirmação veio após exames mais detalhados. Inicialmente, uma avaliação médica minimizou os sintomas. Porém, uma segunda opinião mudou tudo.
Uma ressonância indicou a doença e levou à cirurgia. Felizmente, Snoeijs recebeu o diagnóstico em menos de um ano.
Esse tempo contrasta com a realidade de muitas mulheres no Reino Unido, onde a média de espera chega a nove anos. Ou seja, o caso da jogadora escancara uma falha no reconhecimento da doença.
A endometriose ocorre quando células semelhantes às do útero crescem fora dele. Como resultado, surgem inflamações, dores crônicas e impacto direto na qualidade de vida.
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Recuperação e voz ativa pela conscientização
Após passar por uma cirurgia minimamente invasiva, Snoeijs voltou aos treinos. Desde então, decidiu usar sua voz.
A atleta compartilhou sua experiência nas redes sociais. Com isso, abriu espaço para conversas dentro e fora do vestiário.
“Isso ajudou outras pessoas a falarem sobre o tema”, destacou. Além disso, ela reforça que muitas mulheres ainda normalizam dores severas.
O relato ganha ainda mais força durante o mês de conscientização da doença. Nesse cenário, a história da jogadora vai além do futebol.
Ela representa um chamado. Portanto, reconhecer os sinais e buscar ajuda não é fraqueza, mas necessidade.
A trajetória de Snoeijs mostra que jogar no limite não pode significar ignorar o próprio corpo. No fim das contas, cuidar da saúde também é parte do jogo.





