Sorteio da Copa 2026 reúne estrelas, política e tensão
Um sorteio que misturou festa, choque político e tensão global
Por
Gideão Souza
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Foto: Reprodução/FIFA
A Copa do Mundo de 2026 ganhou contornos definitivos nesta sexta-feira (5), quando um sorteio que misturou espetáculo, tensão diplomática e, além disso, um desfile de celebridades tomou conta de Washington D.C. A Fifa transformou o evento em um grande show e, por isso, reuniu Donald Trump, Kevin Hart, Heidi Klum, Andrea Bocelli e outros nomes de peso. Rio Ferdinand e Samantha Johnson conduziram o sorteio e, ao mesmo tempo, Tom Brady, Shaquille O’Neal, Aaron Judge e Wayne Gretzky reforçaram o clima de superprodução. Assim, desde os primeiros minutos, ficou claro que a Copa de 2026 promete explosões emocionais já na fase de grupos.
Foto Reprodução/Fifa World Cup: Andrea Bocelli se aprensetando antes do sorteio.
Um Mundial maior, mais complexo e cheio de armadilhas
A edição de 2026 reunirá 48 seleções. No entanto, 64 países acompanharam o sorteio com atenção, afinal, as repescagens ainda seguem abertas. Times como Nova Caledônia, Bolívia, RD Congo, Suriname, Jamaica e Iraque seguem lutando por um lugar. Além disso, potências europeias como Itália, Polônia, República Tcheca e Suécia ainda buscam vagas essenciais.
Como de costume, o ranking da Fifa determinou os potes, e cada grupo recebeu apenas um representante de cada continente com exceção da Europa, que pode aparecer com duas seleções. O resultado final trouxe chaves equilibradas e outras carregadas de tensão.
O Grupo do Brasil e o sinal de alerta de Ancelotti
O Brasil caiu no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Carlo Ancelotti, técnico da Seleção, não escondeu a cautela ao analisar o cenário:
“Grupo difícil. Marrocos fez uma ótima Copa no Catar. Eles têm um time sólido, vai ser difícil. Acredito que a gente jogue de noite a maioria dos jogos, então não vamos ter muitos problemas com o clima.”
Jogos do Brasil na primeira fase
1ª rodada – 13 de junho (sábado) – Brasil x Marrocos
2ª rodada – 19 de junho (sexta-feira) – Brasil x Haiti
3ª rodada – 24 de junho (quarta-feira) – Escócia x Brasil
Os grupos da Copa de 2026
– A: México, Coreia do Sul, África do Sul e Europa D – B: Canadá, Suíça, Catar e Europa A – C: Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti – D: EUA, Austrália, Paraguai e Europa C – E: Alemanha, Equador, Costa do Marfim e Curaçao – F: Holanda, Japão, Tunísia e Europa B – G: Bélgica, Irã, Egito e Nova Zelândia – H: Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde – I: França, Senegal, Noruega e Intercontinental 2 – J: Argentina, Áustria, Argélia e Jordânia – K: Portugal, Colômbia, Uzbequistão e Intercontinental 1 – L: Inglaterra, Croácia, Panamá e Gana
Grupos da Copa do Mundo 2026
Quaresma e o alerta sobre Neymar: “Sem ele, o Brasil sofre”
Enquanto o sorteio dominava o debate mundial, uma fala paralela viralizou no Brasil. O ex-jogador português Ricardo Quaresma, em entrevista à CazéTV, foi direto ao ser questionado sobre as chances do Brasil em 2026:
“Seria muito difícil para a Seleção Brasileira se não pudesse contar com o Neymar.”
Segundo ele, Neymar ainda é fundamental para as pretensões da equipe:
“O jogador é muito importante para as ambições do Brasil. A Seleção encontraria dificuldades caso não tivesse o Neymar na Copa.”
A declaração repercutiu rapidamente, ampliando o debate sobre a presença e o peso do craque em um elenco que vive processo de reformulação.
O prêmio polêmico e a frase que incendiou as redes
Apesar da festa, o ambiente ficou carregado quando Donald Trump recebeu o recém-criado Prêmio Fifa pela Paz. A internet reagiu de imediato, impulsionada pelas políticas migratórias duras do governo americano e pelo aumento das tensões internacionais.
Trump, por sua vez, tratou o prêmio como triunfo pessoal:
“É uma das grandes honras da minha vida. Além das condecorações, salvamos milhões e milhões de vidas.”
Gianni Infantino reforçou que a honraria foi entregue “em nome de todos os amantes do futebol”. Ainda assim, segundo reportagem do The Athletic, o conselho da Fifa, composto por 37 dirigentes, nem sequer foi consultado antes do anúncio feito às pressas. Desse modo, a crítica ganhou combustível já nos primeiros minutos após a cerimônia.
A polêmica, além disso, ganhou proporções ainda maiores porque, ao mesmo tempo, os EUA elevavam a pressão militar contra a Venezuela. A chamada “Operação Lança do Sul” já havia causado mais de 20 ataques a embarcações e deixado ao menos 83 mortos. Poucos dias antes, Trump declarara que ataques dentro do território venezuelano “começariam em breve”. Consequentemente, a contradição entre o discurso de paz e a postura agressiva alimentou críticas mundo afora.
Nas redes, o impacto foi imediato: o tema ultrapassou 1,99 milhão de menções no X em poucas horas, e assim, tornou-se um dos assuntos mais comentados do planeta.
Para completar, Trump ainda soltou uma frase que virou meme instantâneo:
”Temos um pequeno conflito com outra coisa que se chama futebol. O futebol deveria se chamar “football” e não soccer, devemos encontrar outro nome para o futebol americano – afirmou Trump”.
O Próprio Gianni Infantino afirmou Durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026, que o Mundial equivale a “104 Super Bowls em um mês”, numa tentativa de explicar ao público norte-americano a dimensão global do torneio.
Foto Reprodução/Gianni Infantino: Trump recebendo o primeiro prêmio da paz, dado pela FIFA.
A Copa já começou — e começou quente
Entre sorteio, celebridades, críticas e declarações explosivas, a Copa de 2026 mostrou que não espera julho para entregar drama. As chaves estão formadas, as rivalidades acenderam e os bastidores políticos já inflamaram o debate global.
O mundo agora segura o fôlego. Se o sorteio já foi assim, imagina quando a bola rolar.
Historiador e Jornalista, Redator Esportivo e pesquisador do Memória Social do Futebol, página dedicada à relação entre futebol e sociedade. Atua também como comentarista esportivo, produz artigos para o Ludopédio e integra o Grupo de Estudos da Universidade do Futebol (UDOF) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Aplicadas ao Futebol (GEPAF).
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