Após quatro meses sem vitória no Campeonato Brasileiro, o Clube da Fé voltou a vencer no último sábado, batendo o Red Bull Bragantino por 2 a 1 no Morumbis. Os gols foram de Luciano em cobrança de pênalti, e do garoto da base Gustavo Santana.
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A vitória alçou o São Paulo à 11° posição na tabela do campeonato, e quem vê de fora pode pensar que o time se encontra longe da briga pelo rebaixamento. Todavia, os resultados recentes no Brasileirão, uma tabela congestionada, somados à instabilidade política, fazem a torcida temer o pior.
DE ONDE VEM O MEDO
O Tricolor do Morumbi nunca caiu, e isso, por si só, cria uma atmosfera totalmente diferente quando o clube se aproxima de qualquer debate sobre rebaixamento para a segunda divisão. As recentes quedas dos grandes clubes do Brasil aumentam esse temor na torcida são paulina, visto que, hoje, apenas São Paulo e Flamengo nunca disputaram a segunda divisão. O tricolor figura para muitos como primeiro da fila quando o assunto é ser o próximo grande clube a cair, tendo em vista a ótima grande fase que vive o Flamengo na década.
Até 2015, Internacional, Cruzeiro e Santos também somavam na lista dos nunca rebaixados do Brasil. A escrita se quebrou, clube a clube. Em 2016, o Inter; em 2019, o Cruzeiro; em 2023, o Santos: todos conheceram a série B. Os roteiros se assemelham, instabilidade política, dívidas, jogadores insatisfeitos, torcida inflamada. Tudo isso levou ao tão temido rebaixamento. Em alguns casos, como o do Cruzeiro, o clube demorou a voltar para a elite do futebol brasileiro e, em certo momento, disputou a parte de baixo da Série B.
Tudo isso mostra pro torcedor tricolor que a segunda divisão não é distante, e que basta uma temporada de deslizes para pagar o preço. Além dos clubes que caíram pela primeira vez, houveram os casos dos clubes que caíram mesmo com bons times, como o Grêmio de 2021, ou o Fortaleza de 2025, este que vinha de grandes feitos no futebol nacional. Mesmo assim, não escaparam da degola.
Em síntese, os recentes casos de clubes rebaixados mostram para o São Paulo claramente o que é preciso fazer para ser rebaixado, ou melhor, o que não fazer para se manter na elite. Acontece que o São Paulo frequentemente faz o contrário.
AFINAL, O TRICOLOR BRIGA PRA NÃO CAIR?
O ano do São Paulo já começou polêmico, ainda em janeiro, quando Hernán Crespo comandava o time. O argentino deu uma declaração após uma derrota para o rival Palmeiras, em que dizia: “No Brasileirão, a meta é 45 pontos”.
A declaração foi fortemente criticada pela diretoria, e parte dos jogadores, a torcida, no entanto, considerou uma visão realista que agradou à massa são-paulina. Algum tempo depois, o técnico foi demitido repentinamente, quando liderava o Campeonato Brasileiro, entre explicações confusas. O que pareceu é que as expectativas do ex-jogador argentino não estavam alinhadas com a diretoria.
O Brasileirão continuou, e o Tricolor se complicou: foi de líder para segunda página da tabela, e quando as vitórias sumiram, o medo do rebaixamento surgiu.
É fato que a torcida do São Paulo geralmente liga o alerta antes de outros clubes, por todos motivos já ditos aqui. Foi assim em 2013, 2017, 2021, enfim, sempre que o clube se complica um pouco mais, os torcedores logo ligam o alerta.
A ideia é que, quanto antes os avisos comecem, mais o time vai se concentrar para se manter na Série A.
Porém, o campeonato atual tem um agravante: a tabela está muito congestionada. Do Vasco da Gama, 17°, abrindo a zona de rebaixamento para o São Paulo, 11°, a diferença é de apenas cinco pontos. Ou seja, uma derrota, ou uma vitória podem mudar tudo. Por isso, a preocupação é maior, muitos clubes brigarão contra o descenso.
VEREDITO
O veredito é impreciso e subjetivo. Numa visão majoritária nas redes sociais e entrevistas, a maioria dos são paulinos enxerga, sim, o clube em uma briga para fugir do fantasma do Z4. Todavia, existem os mais “otimistas”, que enxergam o momento como uma fase e que uma sequência curta de vitórias pode tirar o clube dessa disputa, ainda mais com o cenário tão embolado.
Visão do jornalista: A preocupação da torcida é boa para prevenir cenários piores do clube, o famoso “melhor prevenir do que remediar”. No entanto, esse discurso, quando exacerbado, abre espaço para discursos apocalípticos e desconexos da realidade, que pouco somam na manutenção do clube na Série A.
Em síntese, o São Paulo está sim em alerta. Afinal, não é comum ficar quatro meses sem vencer em um campeonato. Mas os pontos que o clube somou no início do campeonato deixam a situação totalmente reversível, caso o básico seja feito.
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