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Como Mussolini usou o futebol para moldar a Itália

As Copas de 1934 e 1938 como instrumentos de poder e legitimação ideológica

Por

Gideão Souza

Foto: Wikipédia

Futebol e a Ascensão do Fascismo

No início do século XX, a Itália atravessava um período intenso de transformações sociais, políticas e culturais, impulsionadas pelo trauma coletivo do pós-Primeira Guerra Mundial.
Ao mesmo tempo, enquanto antigas estruturas ruíam, o futebol começava a se consolidar como uma nova paixão urbana, especialmente entre as classes populares.
Importado da Grã-Bretanha, o calcio rapidamente ultrapassou esportes tradicionais, como o ciclismo, e passou a ocupar um espaço central na cultura italiana.
Clubes surgiram como símbolos regionais, fortalecendo identidades locais e funcionando como pontos de pertencimento social nas cidades industriais.

É exatamente nesse ambiente que emerge Benito Mussolini e seu projeto de poder totalitário.
O fascismo não se limitava à política institucional, pois pretendia moldar comportamentos, emoções e formas de lazer da sociedade italiana.
Nesse contexto, o esporte se apresentou como um território estratégico, capaz de mobilizar massas e criar sentimentos coletivos de orgulho e disciplina.
Minha análise parte do princípio de que o regime não apenas conviveu com o futebol, mas o incorporou conscientemente como ferramenta ideológica.

Assim, a relação entre fascismo e futebol não se deu por acaso, mas por apropriação deliberada.
O regime encontrou no esporte um meio eficaz para exaltar a nação, promover o ideal do “homem novo” e projetar poder internacionalmente.
Este artigo analisa como o futebol foi reorganizado, instrumentalizado e transformado em peça-chave do Estado fascista, culminando nas Copas de 1934 e 1938.

Mussolini inspecionando tropas durante a Segunda Guerra Ítalo-Etíope. Fonte: Wikipedia

A Fascistização do Calcio: Controle e Reestruturação Institucional

O primeiro movimento do regime fascista consistiu em assumir controle total sobre as estruturas do futebol italiano.
A Federação Italiana de Futebol passou a operar sob supervisão direta do Comitê Olímpico Nacional Italiano, órgão controlado pelo Estado.
Com isso, o fascismo eliminou autonomias regionais e concentrou decisões esportivas em alinhamento direto com o poder político.
Além disso, o regime impôs rituais simbólicos, como a saudação fascista obrigatória antes das partidas, reforçando sua presença cotidiana.

Em 1926, o governo aprovou a Carta di Viareggio, marco decisivo da intervenção estatal no futebol.
O documento proibiu atletas estrangeiros, refletindo o nacionalismo extremo e o discurso de pureza defendido pelo fascismo.
A intenção era clara: formar uma base exclusivamente italiana para a Azzurra, convertida em símbolo máximo da nação.

Logo depois, em 1929, surgiu a Serie A em formato nacional e unificado.
Antes fragmentado em ligas regionais, o futebol passou a operar sob uma estrutura centralizada, espelhando o próprio Estado fascista.
Essa mudança não apenas profissionalizou o esporte, mas também reforçou a ideia de unidade nacional sob uma única bandeira política.

Clubes, Identidade e Intervenção Ideológica

O regime compreendeu rapidamente que os clubes representavam centros profundos de identidade popular.
Por isso, interveio diretamente em suas estruturas, símbolos e até nomes.
O caso da fundação da Roma, em 1927, exemplifica essa estratégia de unificação forçada na capital.
A fusão buscava criar um clube forte que simbolizasse o poder central diante da hegemonia do norte italiano.

Em contrapartida, o Lazio manteve relação próxima com o partido fascista, tornando-se o clube preferido de Mussolini.
A interferência chegou a níveis extremos, incluindo convocações militares estratégicas que enfraqueceram adversários diretos.
Já a Internazionale sofreu intervenção simbólica direta, sendo renomeada Ambrosiana por ordem do regime.

No norte, a Juventus construiu uma relação simbiótica com o fascismo.
Controlada pela família Agnelli, aliada industrial do regime, o clube tornou-se vitrine da modernidade fascista.
Durante o Quinquennio d’Oro, a Juventus dominou o futebol italiano e simbolizou eficiência, ordem e poder estatal.

Cartaz promocional da Copa do Mundo FIFA de 1934. Fonte: Wikipédia

O Palco Internacional: As Copas de 1934 e 1938

As Copas do Mundo de 1934 e 1938, nesse contexto, foram pensadas como peças centrais do projeto político de Benito Mussolini. Em 1934, ao sediar o Mundial, o regime fascista transformou o torneio em um grande espetáculo de Estado. Desde a escolha das sedes até a encenação das cerimônias, tudo carregava símbolos do fascismo, exaltando ordem, disciplina e nacionalismo. Além disso, a seleção italiana não representava apenas um time, mas a ideia de uma Itália forte, obediente e renovada sob o comando do Duce. Dentro de campo, as vitórias reforçaram essa narrativa, enquanto, fora dele, o governo utilizou o título como prova da superioridade do modelo político vigente.

Quatro anos depois, em 1938, o Mundial disputado na França ampliou esse uso político do futebol. Mesmo longe de casa, a Itália entrou em campo como emissária ideológica do regime. Antes das partidas, os jogadores realizaram saudações fascistas, gesto que provocou tensão internacional, mas que, ao mesmo tempo, reforçou a mensagem de fidelidade absoluta ao Estado. Durante o torneio, cada vitória era explorada como demonstração de força nacional e coesão interna. Assim, o bicampeonato não foi tratado como feito esportivo isolado, mas como confirmação simbólica da grandeza italiana projetada por Mussolini. Dessa forma, as Copas de 1934 e 1938 consolidaram o futebol como ferramenta de propaganda, controle simbólico e afirmação política, mostrando que, quando o poder ocupa o esporte, o jogo deixa de ser apenas jogo.

Seleção italiana na Copa de 1934. Fonte: Wikipédia

Para Além do Campo: Propaganda, Sociedade e Legado

O fascismo não criou a paixão pelo futebol, mas soube explorá-la com precisão.
Vitórias esportivas foram transformadas em argumentos políticos e instrumentos de legitimação do poder.
O esporte ajudou a moldar comportamentos, emoções coletivas e uma identidade nacional artificialmente unificada.

O legado desse período permanece complexo e contraditório.
As conquistas esportivas coexistem com um dos capítulos mais sombrios da história italiana.
O futebol, ali, mostrou seu potencial como ferramenta de poder, manipulação e controle social.

Conclusão

Mussolini, assim, enxergou o futebol como extensão direta de seu projeto totalitário. A partir disso, o esporte deixou de ser apenas jogo e, progressivamente, tornou-se espetáculo político, vitrine ideológica e, sobretudo, mecanismo de legitimação interna e externa. Nesse contexto, as Copas de 1934 e 1938 não representaram apenas títulos, mas, além disso, simbolizaram triunfos cuidadosamente construídos para ultrapassar o campo esportivo. Por consequência, esse episódio histórico reforça que o futebol jamais é neutro quando o poder decide ocupá-lo, moldá-lo e utilizá-lo como instrumento de dominação simbólica.

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