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Do Fluminense de Zubeldía ao de Marcão: o que mudou no Tricolor

Por

Maria Clara Luiz

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

A saída de Luis Zubeldía não provocou uma revolução no Fluminense, mas mudou o ambiente e a forma como a equipe respondeu aos momentos de pressão. Marcão assumiu inicialmente de forma interina e, em vez de promover uma reformulação completa, decidiu preservar boa parte da estrutura utilizada pelo argentino. Ao mesmo tempo, o treinador aproveitou o conhecimento que possui sobre o clube para fazer ajustes pontuais, recuperar a confiança do elenco e ampliar as opções disponíveis. Dessa forma, a principal diferença não apareceu em uma transformação completa do modelo de jogo, mas no comportamento do time, na capacidade de reação e na maneira como Marcão passou a aproveitar jogadores que tinham menos espaço.

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Sob Zubeldía, o Fluminense encerrou a passagem do treinador em um momento de forte pressão. A equipe acumulava oito partidas sem vencer e encontrava dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras. O Tricolor também passou a demonstrar problemas para concluir as jogadas. No empate sem gols com o Independiente Rivadavia, no Maracanã, por exemplo, o time controlou a bola, mas não conseguiu criar e finalizar com eficiência. Com isso, a pressão sobre o treinador aumentou ainda mais.

Por outro lado, Marcão encontrou um cenário complicado, mas conseguiu mudar rapidamente a postura da equipe. Nos três primeiros jogos, o Fluminense empatou com o Independiente Rivadavia no tempo regulamentar e avançou nos pênaltis, venceu o Palmeiras e derrotou o Remo de virada. Assim, a equipe recuperou resultados importantes em pouco tempo. A sequência garantiu a classificação para as quartas de final da Libertadores e aumentou a confiança da diretoria no trabalho do treinador.

MARCÃO NÃO MUDOU TUDO

Marcão não chegou ao Fluminense para simplesmente apagar o trabalho de Zubeldía. Pelo contrário, o treinador manteve boa parte da estrutura e da lógica utilizada pelo argentino. No entanto, conseguiu mudar o comportamento da equipe em momentos importantes.

Nesse sentido, o Tricolor passou a atacar com mais agressividade em determinados momentos e mostrou maior capacidade de reação. Contra o Palmeiras, por exemplo, o time buscou uma vitória por 3 a 2. Depois, diante do Remo, saiu atrás no placar, ouviu vaias no intervalo e voltou para o segundo tempo com outra postura. Como resultado, a equipe reagiu e virou a partida por 2 a 1.

Mesmo sem promover uma mudança radical, Marcão conseguiu fazer o time responder de maneira diferente. Essa capacidade de reação virou uma das principais características do início do trabalho.

MARCÃO TAMBÉM ABRIU ESPAÇO PARA OS MOLEQUES DE XERÉM

A mudança não ficou apenas no comportamento coletivo. Marcão também passou a olhar com mais atenção para os moleques de Xerém e para jogadores que receberam poucas oportunidades durante a passagem de Zubeldía.

Riquelme Felipe representa um dos principais exemplos. O atacante entrou no segundo tempo contra o Remo e participou diretamente da reação tricolor ao dar a assistência para o gol da virada de Kevin Serna. O jovem vinha recebendo pouco espaço e, justamente quando ganhou uma oportunidade, conseguiu contribuir em um momento decisivo.

Com isso, Marcão encontrou alternativas dentro do próprio elenco. O treinador passou a dar mais minutos para jogadores que apareciam em segundo plano e começou a explorar o potencial dos jovens formados em Xerém.

A atuação de Riquelme também aumentou a disputa interna por espaço. Dessa forma, Marcão ganhou mais opções para as partidas e mostrou aos jogadores do elenco que todos podem conquistar oportunidades quando apresentarem uma resposta positiva.

CONFIANÇA E APROXIMAÇÃO COM O ELENCO

Outro fator importante está na relação de Marcão com o grupo. O treinador conhece os jogadores, a rotina e o ambiente do Fluminense. Por isso, conseguiu se adaptar rapidamente ao comando da equipe.

Essa proximidade ajudou Marcão a identificar jogadores que poderiam contribuir mais. O treinador também recuperou a participação de atletas que apareciam pouco e abriu espaço para os jovens.

O Fluminense respondeu dentro de campo. Primeiro, recuperou a confiança. Depois, voltou a vencer. Ao mesmo tempo, encontrou soluções em diferentes nomes do elenco, inclusive entre os jogadores formados em Xerém.

O FLUMINENSE FICOU MAIS EFICIENTE?

Ainda é cedo para afirmar que Marcão encontrou um modelo superior ao de Zubeldía. Afinal, o treinador comandou apenas três partidas nesse início de trabalho, e o time ainda apresenta problemas.

O duelo contra o Remo, inclusive, mostrou isso. O Fluminense fez um primeiro tempo abaixo do esperado, sofreu o primeiro gol e precisou mudar a postura depois do intervalo para buscar a virada.

Ainda assim, existe uma diferença importante. O time de Marcão conseguiu transformar momentos de pressão em resultado e mostrou mais confiança para reagir quando precisou. O treinador também encontrou respostas no próprio elenco, principalmente com a entrada de Riquelme Felipe.

ZUBELDÍA X MARCÃO: A PRINCIPAL DIFERENÇA

A comparação, portanto, não passa apenas pelo esquema tático.

Zubeldía deixou um Fluminense pressionado, com dificuldades para transformar domínio em oportunidades e resultados. Marcão, por outro lado, encontrou uma equipe que, mesmo sem grandes mudanças estruturais, recuperou confiança, reagiu dentro de campo e passou a encontrar alternativas também nos jogadores que tinham menos espaço.

Nesse cenário, Riquelme Felipe e os moleques de Xerém representam algumas das novidades mais interessantes desse início de trabalho. Marcão manteve parte da estrutura que recebeu, mas ampliou as possibilidades dentro do próprio elenco.

Agora, o treinador precisa transformar essa resposta inicial em consistência. A diretoria apostou na continuidade e efetivou Marcão até o fim de 2026. Portanto, o desafio será manter a capacidade de reação, aproveitar os jogadores que ganharam espaço e construir uma identidade capaz de sustentar o Fluminense até o fim da temporada.

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