Primeiramente, a trajetória do Leicester City nos últimos dez anos foi marcada por extremos opostos. Em maio de 2016, o clube protagonizou a maior sensação do futebol inglês: a conquista da Premier League com odds de 5.000 para 1. Agora, uma década depois, os Foxes vivem o pesadelo inverso. Nesta terça-feira (21), o time empatou em casa por 2 a 2 com o Hull City. Como resultado, a equipe foi rebaixada para a League One, a terceira divisão nacional.
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Empate em casa selou o destino matematicamente
No duelo contra o Hull City, o Leicester até esboçou reação. Primeiramente, saiu atrás com gol de Liam Millar. Em seguida, conseguiu a virada: Jordan James converteu pênalti, e Luke Thomas ampliou. Logo depois, porém, a defesa falhou novamente, e Oli McBurnie empatou. Por fim, o 2 a 2 selou o destino matematicamente.
Com 42 pontos, o time ocupa a 23ª posição. O Blackburn, primeiro fora da zona de rebaixamento, tem 49. Portanto, mesmo com duas rodadas restantes, o Leicester não consegue mais escapar do Z3. Essa eliminação precoce, com duas rodadas de antecedência, escancara a fragilidade do elenco.
Campanha pífia anunciou queda meses atrás
Antes de tudo, a queda já era esperada há meses. Dos últimos 18 jogos do Championship, apenas um terminou em vitória. Além disso, o desempenho defensivo piorou drasticamente. Em 44 rodadas disputadas, o Leicester sofreu 67 gols. Ou seja, a média de 1,52 gol por jogo está entre as piores da competição.
Do mesmo modo, este é o segundo rebaixamento seguido do clube. Na temporada 2022/23, o Leicester caiu da Premier League para a Championship. Depois que retornou à elite em 2023/24, muitos acreditaram em recuperação. Contudo, a nova queda veio em 2024/25, agora para a terceira divisão. Portanto, o time acumula três rebaixamentos nos últimos quatro anos, um feito negativo raro na história do futebol inglês.
Morte de Vichai e punição financeira aceleraram a debacle
Em primeiro lugar, a morte de Vichai Srivaddhanaprabha, dono do clube, em 2018, foi um divisor de águas. De acordo com analistas financeiros, o acidente de helicóptero que matou o empresário tailandês deixou um vácuo administrativo. A partir de então, os investimentos diminuíram. Juntamente com a perda de receitas de TV após o primeiro rebaixamento, o clube passou a infringir regras financeiras da Federação Inglesa.
Por exemplo, na temporada atual, o Leicester sofreu uma dedução de seis pontos. Essa punição, aplicada em março, contribuiu diretamente para a queda. Sem esses seis pontos, o time teria 48, ainda longe dos 49 do Blackburn, mas com uma diferença menor. Apesar disso, a diretoria admite que o problema é estrutural.
Sangria de talentos e reposições frustradas
Em relação ao aspecto esportivo, o erro mais grave do Leicester foi não conseguir substituir seus grandes nomes. O time campeão de 2016 tinha pilares como N’Golo Kanté, Riyad Mahrez e Jamie Vardy. Kanté, peça fundamental no meio-campo, saiu ainda naquele mesmo ano para o Chelsea. Mahrez, artilheiro e cérebro do ataque, foi vendido ao Manchester City em 2018. Mais tarde, James Maddison, principal criador de jogadas da nova geração, foi negociado com o Tottenham em 2023.
Além disso, Jamie Vardy, o último remanescente daquela geração vitoriosa, também deixou o clube recentemente. O atacante se transferiu para o Cremonese, da Itália, encerrando 13 anos de história nos Foxes. Ou seja, nenhum dos grandes heróis de 2016 permaneceu no elenco.
As contratações feitas para repor esses atletas ficaram muito aquém do esperado. Por exemplo, Patson Daka e Kelechi Iheanacho nunca renderam como Vardy. Boubakary Soumaré e outros volantes não chegaram perto da intensidade de Kanté. Do mesmo modo, a saída de Maddison deixou um buraco na criação que ninguém preencheu. Como resultado, o elenco atual carece de experiência, liderança e qualidade técnica.
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Comparação com 2008 mostra repetição de erros
Analogamente ao que ocorreu em 2008, quando o Leicester também caiu à terceira divisão, o clube agora tenta se reerguer. Naquela ocasião, o retorno veio após apenas um ano. Do mesmo modo, a torcida espera uma recuperação rápida. Todavia, a crise financeira atual é mais grave. De acordo com relatórios internos, o clube acumula dívidas de mais de 200 milhões de libras.
Além disso, o contexto é diferente. Em 2008, o time ainda conseguiu manter uma base de jogadores identificados com a instituição. Agora, a debandada de talentos, Vardy, Mahrez, Kanté, Maddison, Schmeichel, Tielemans, deixou um vazio impossível de preencher com investimentos reduzidos.
Legado e perspectivas para o futuro
Em síntese, a trajetória do Leicester nos últimos dez anos ensina uma lição dura. À primeira vista, um título improvável parecia inaugurar uma nova potência. Sob o mesmo ponto de vista, as conquistas da FA Cup e da Supercopa da Inglaterra, ambas em 2021, reforçaram essa esperança. Entretanto, a morte de Vichai, os problemas financeiros, as más gestões consecutivas e, acima de tudo, a incapacidade de repor craques como Kanté, Mahrez, Maddison e Vardy destruíram o projeto.
Acima de tudo, o rebaixamento à terceira divisão não é o fim. Em conclusão, o Leicester precisa reconstruir suas bases, resgatar a identidade que o levou ao título e aprender com os erros. Definitivamente, os torcedores que vibraram com a festa de 2016 agora encaram um recomeço doloroso, mas não necessariamente sem glória no futuro.
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