As bets, forma popular de se referir aos jogos de apostas online, seguem proibidas devido à Medida Provisória que coloca fim à publicidade das plataformas de apostas em território nacional. Com isso, a medida atinge diretamente os times de futebol que foram patrocinados por empresas do setor. Entre eles, São Paulo e Corinthians devem estar entre os clubes mais afetados financeiramente.
Isso porque a medida atinge uma parte considerável da receita dos clubes de forma imediata. Além disso, os times devem enfrentar dificuldades para captar novos parceiros e encontrar mercados capazes de substituir as bets, especialmente diante das grandes dívidas que já possuem.
“Eu diria que aqueles que têm grandes contratos, como Flamengo, Corinthians e São Paulo, obviamente, mas, entre esses, sem sombra de dúvidas, o Corinthians, que depende muito do contrato de bet (Esportes da Sorte) e está numa situação ruim. Teve essa questão da Fatal Model (site de acompanhantes de luxo), que afugenta grandes marcas interessadas. Além do Corinthians, o São Paulo, que está numa situação ruim, o Santos, que depende muito também do seu contrato, Botafogo. Na minha opinião, Flamengo e Palmeiras, que estão também muito dependentes, têm a chance de atrair marcas porque estão numa gestão mais sólida. Então, eu diria que os que têm mais contratos, ou que têm contratos maiores, e que têm má gestão, vão sofrer mais, como é o caso de Corinthians e São Paulo”, analisou Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva e sócio-fundador da Sports Value, ao IG Esportes.
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Clubes ficaram mais dependentes das bets
Nos últimos anos, os clubes de futebol se tornaram cada vez mais dependentes do dinheiro das casas de apostas. De acordo com dados da Sports Value, os maiores clubes do futebol brasileiro movimentaram, em 2025, um total de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing.
Desse montante, cerca de R$ 1,1 bilhão vieram de casas de apostas, o equivalente a 34% do total. Além disso, o faturamento total dos clubes ultrapassou os R$ 15 bilhões em 2025, enquanto as casas de apostas representaram, em média, 8% das receitas geradas.

Fim das bets pode impactar receitas
Diante desse cenário, Somoggi explica que o surgimento das bets inflacionou o mercado do futebol brasileiro e criou um modelo que considera insustentável. Segundo o especialista, os clubes precisarão buscar alternativas e usar a criatividade para recuperar as receitas de marketing.
“Todos os mercados que tiveram redução ou proibição de casas de apostas tiveram perdas financeiras no curto prazo, porque nenhum setor, por mais importante que seja, paga os valores inflacionados pelas casas de apostas. Então, no curto prazo, vai ter um impacto. Na Espanha, estimou-se em 30%, mais ou menos, a queda das receitas. Eu não acredito nesse número para o Brasil, mas pode acontecer. Ter uma queda bastante acentuada no curto prazo, mas isso pode qualificar o marketing esportivo brasileiro, voltando a ter marcas líderes que faturam muito, que têm um marketing muito mais agressivo, que podem alinhar ativações inteligentes com os clubes.
Então, eu acho que, para se recuperar, é buscar, para cada patrocínio perdido, dois ou três novos patrocínios. Isso pode ser um caminho. Vai exigir muita criatividade dos clubes para voltar a chamar a atenção dessas marcas importantes que estão fora e distantes dos clubes, não só na questão de valor, mas também por credibilidade, questão de compliance”, completou.
Clubes paulistas fizeram alerta antes da medida
Vale ressaltar que, dias antes de a Medida Provisória entrar em vigor, São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians divulgaram uma nota conjunta com o Paulistão. Na ocasião, os clubes fizeram um alerta sobre os impactos para o futebol caso as bets fossem proibidas.
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