A reversão de Infantino sobre a suspensão de Balogun desperta insatisfação da Federação Alemã de Futebol (DFB), que se posiciona contra a sua reeleição como presidente da FIFA. A entidade alemã se recusa a assinar a carta de apoio para Infantino e agrava ainda mais o afastamento entre a DFB e a federação internacional.
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De acordo com o jornal BILD, Bernd Neuendorf, presidente da DFB, tem se distanciado de Infantino nos últimos anos, com a Copa do Mundo agravando a relação. Neuendorf não concordou com a reversão sobre a polêmica suspensão de Balogun, com a reversão da suspensão sendo supostamente influenciada pelo presidente norte-americano.
A insatisfação da Federação Alemã com a FIFA não é recente, com a relação entre ambas estando fragilizada desde a Copa do Mundo de 2022. Além disso, muito dessa insatisfação é por decisões políticas da própria FIFA, aumentando o descontentamento com a federação internacional por um longo período.
Seleção Alemã e FIFA em choque direto desde 2022
A relação entre FIFA e a DFB está abalada, mas não é surpresa, pois a relação entre ambos conta com desavenças públicas desde a Copa no Catar. Em 2022, a seleção alemã, ao lado de outras seleções, planejava usar a braçadeira de capitão “OneLove” em apoio aos direitos LGBTQIA+. Contudo, sob a ameaça de punições severas da FIFA, a Alemanha recuou, mas protestou tapando a boca na foto oficial antes da partida.

Em nota oficial, a Federação Alemã defendeu o uso da braçadeira de capitão “OneLove” como protesto:
Com a nossa braçadeira de capitão quisemos dar o exemplo pelos valores que vivemos na seleção: a diversidade e o respeito mútuo. Seja alto junto com outras nações. Não se trata de uma mensagem política: os direitos humanos não são negociáveis. Isso deve ser feito sem dizer. Mas infelizmente ainda não é. É por isso que esta mensagem é tão importante para nós. Banir-nos a faixa é como banir nossas bocas. Nossa postura permanece.”
Além disso, a braçadeira de capitão seria utilizada por outras seleções, como, por exemplo, Harry Kane, capitão da Inglaterra, e Van Djik, capitão da Holanda. Além disso, o País de Gales também apoiou o uso da braçadeira de capitão, enquanto isso a Dinamarca buscava um protesto nos treinos, utilizando uma camisa personalizada sobre os direitos humanos. Bélgica e Suíça também aderiram ao protesto; contudo, a entidade internacional proibiu todos os sete países, com ameaças de multas severas e cartão amarelo para todos os jogadores em campo.
O presidente da DFB admitiu que recuar foi um erro e que os presidentes das federações europeias deveriam ter confrontado Infantino diretamente antes do torneio. Essa frustração moldou uma “promessa” alemã de adotar uma postura muito mais exigente frente à FIFA no futuro.
O Congresso de Assunção em 2025 como agravante
A tensão atingiu o nível institucional em 2025. Durante o Congresso da FIFA no Paraguai, Infantino atrasou-se várias horas para o evento devido a compromissos políticos na Arábia Saudita ao lado de Donald Trump.
Em protesto contra o comportamento considerado soberbo e desrespeitoso, as seleções da UEFA, lideradas por Aleksander Čeferin, abandonaram coletivamente o palco do congresso. Além disso, seleções da CONCACAF também abandonaram o local pelo atraso de Gianni Infantino. A mensagem foi clara: a contrariedade aos interesses políticos privados do presidente da FIFA.
Caso Folarin Balogun como “gota d’água” entre DFB e FIFA
Durante a Copa do Mundo de 2026, a relação entre a entidade internacional e a federação atingiu seu ápice. A FIFA, por meio de uma decisão altamente controversa do Comitê Disciplinar, suspendeu a punição automática de cartão vermelho do atacante norte-americano Folarin Balogun, permitindo que ele jogasse as oitavas de final.
Com denúncias de que a decisão foi monocrática e influenciada por uma ligação telefônica de Donald Trump para Infantino. De acordo com o jornal The Sunday Times, a decisão de “reverter” a suspensão de Balogun foi feita por Mohammad al-Kamali, dos Emirados Árabes Unidos, sem a participação de outros 17 membros do Comitê Disciplinar. Neuendorf foi incisivo, cobrando explicações da FIFA para afastar qualquer suspeita de interferência política no esporte, declarando que a UEFA e a DFB não permitiriam que o caso fosse “arquivado” sem transparência.
De acordo com o regulamento da própria Copa do Mundo, a competição prevê a suspensão automática e não fala sobre possibilidade de recurso da suspensão. Além disso, cancelar a pena se baseia apenas no regulamento amplo, o Código Disciplinar da FIFA, que dá poderes de suspender total ou parcialmente medidas suspensivas. Procurada pela imprensa, a FIFA preferiu não comentar o caso e remeteu qualquer decisão às conclusões de seu Comitê Disciplinar independente.
Protestos da DFB remando contra a maré
No Congresso de Kigali, em março de 2023, a DFB tomou a decisão de negar oficialmente seu apoio à reeleição de Infantino. Contudo, Infantino foi reeleito por aclamação, pois era o único candidato; o voto contrário da Alemanha foi um manifesto político de descontentamento. Neuendorf justificou a decisão cobrando que a FIFA se tornasse “mais aberta, transparente e respeitosa com as federações nacionais”.
Com o anúncio de Infantino de que disputará mais um mandato na eleição de março de 2027, no Marrocos, a DFB nada contra a maré. A DFB se posicionou novamente contra a reeleição de Gianni Infantino, mesmo sendo vista como minoria contra a reeleição. Embora a DFB queira liderar a oposição ética, a realidade política favorece Infantino. Ele conta com o apoio maciço das confederações da América do Sul(CONMEBOL), África(CAF) e Ásia(AFC). A Europa(UEFA), está politicamente isolado na tentativa de frear o presidente da FIFA, cujo mandato pode se estender até 2031 devido a mudanças estatutárias anteriores.
O distanciamento entre Bernd Neuendorf e Gianni Infantino é o reflexo de um choque cultural e ético no topo do futebol mundial. Para a DFB, opor-se à reeleição de Infantino não é apenas uma questão de preferência pessoal de seu presidente, mas uma necessidade de governança para responder às demandas de transparência exigidas pelos próprios torcedores.
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