“Protagonismo”, do grego protagonistes, significa “principal”, “primeiro”. No teatro grego, assim era denominado o ator principal de uma legítima tragédia. Bom, na Copa dos Protagonistas, a sensação que fica é: “Por que o nosso não protagonizou?”
Não sejamos injustos: Vinicius Jr. foi o líder do Brasil na Copa. Gols, assistência, jogadas individuais… Por momentos, o torcedor brasileiro teve, sim, a esperança de estar diante de um novo protagonista. Afinal, o último em quem mais depositávamos essa expectativa pouco fez nas três Copas em que carregou esse rótulo pesado. Nesta última, então…
O protagonismo do Brasil, nesse último domingo, foi mais uma dura derrota em sua linda história. Se formos ranzinzas a esse ponto, pode-se dizer que tudo começou lá atrás, quando a sorte — e parece que foi a última vez que nos concedeu sua graça — quis que a bola de Pinilla beijasse o travessão no último minuto das oitavas de final contra o Chile, em 2014. Afinal, que mundo seria esse se o Brasil tivesse sido eliminado precocemente de uma Copa do Mundo sendo o anfitrião, não é mesmo?
Depois disso, eu até poderia dizer que a “vaca deitou”, mas acho que esse não seria o ditado mais adequado. Afinal, se tudo tivesse parado, como uma vaca deitada, não estaríamos colecionando vergonhas atrás de vergonhas. A primeira — e a maior de todas — foi o fatídico 7 a 1. Mas esse já nem precisamos comentar muito. Depois dele, veio a Copa de 2018: enfrentamos a ótima geração belga e caímos nas quartas de final. Em 2022, chegou a vez da forte geração croata, e, novamente, quartas de final. Depois, em 2026, mais uma grande geração, desta vez a norueguesa.
Não me entendam mal, mas que azar é esse que faz com que sempre tenhamos de enfrentar alguma supergeração? Ou será que são eles que têm a sorte de encontrar um caminhão obrigado a dar ré em uma ladeira? Acredito que seja a segunda opção.
Todos aqui também sabem como foi o jogo do último domingo.
Chances perdidas e mais um pênalti que vamos ter de aturar pela eternidade, acompanhado de uma pergunta capaz de tirar o sono todas as noites: por que o nosso protagonista não colocou a bola debaixo do braço e bateu aquele pênalti?
Que Vinicius Jr. é um grande jogador, todos já sabem. Ele mesmo fez questão de provar isso quando ninguém acreditava. O craque dos Galácticos, bicampeão da Champions League pelo maior clube do mundo, sendo decisivo nas duas conquistas. Mas, na hora do pênalti que poderia colocar sua seleção nas quartas de final da Copa do Mundo, tomou a pílula “antivaidade” e cedeu a responsabilidade a outro companheiro?
De fato, foi protagonista com gols, assistência e atuações decisivas, mas faltou querer ser 10x vezes mais no momento em que mais se precisou e que a história exigia. Uma pena.
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