A FIFA estuda abrir um processo disciplinar contra a Argentina por conta de uma faixa exibida pelos jogadores após a vitória sobre a Inglaterra. Logo após a classificação para a final da Copa do Mundo, os argentinos carregaram uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas”.
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O ocorrido e o contexto histórico
Após a virada histórica e a classificação argentina, os jogadores carregaram uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas”. A mensagem, por sua vez, faz uma alusão à guerra pelas Ilhas Malvinas em 1982. O arquipélago, que fica localizado no sul do Oceano Atlântico, é motivo de disputa pelos países até hoje, mais de 40 anos após a guerra.
Os argentinos argumentam que os primeiros ocupantes das Ilhas foram os espanhóis que governavam o, à época, Vice-Reino do Rio da Prata. A região que posteriormente em 1810, se tornou independente da Espanha e viraria a Argentina, enviou autoridades para tomar posse das ilhas, na década de 1820. Porém, em 1833, os ingleses expulsaram as autoridades argentinas das ilhas.
Por outro lado, o Reino Unido afirma que a reivindicação das Ilhas data de 1765, período anterior a década de 1820. Desta forma, os ingleses enviaram um navio de guerra para as Ilhas Falklands, como é conhecida por eles, para expulsar os argentinos que haviam tomado posse das ilhas.
Quase 150 anos depois, em 1982, os argentinos lançaram a “Operação Rosário”, na tentativa de recuperar as ilhas com forças militares. A operação, que deu início a Guerra das Malvinas, terminou com mais de 600 soldados argentinos e cerca de 250 combatentes britânicos abatidos.
Mais de 30 anos após a guerra, em 2013, os moradores das ilhas votaram em um plebiscito por permanecer como um território do Reino Unido.
Punições em casos semelhantes
A FIFA já puniu a própria Argentina em um caso parecido. Na ocasião, os argentinos exibiram uma faixa com a mesma mensagem em amistoso contra a Eslovênia, em La Plata, as vésperas da Copa no Brasil. A entidade advertiu a Federação e a multou em 33 mil dólares.
Além disso, nesta edição do torneio, a entidade já barrou outras manifestações políticas. A seleção haitiana teve de alterar seu uniforme as pressas por conta de uma referência política em sua camisa titular. O uniforme fazia uma homenagem a Batalha de Vertières, de 1803, considerada um passo importantíssimo na independência do país caribenho.
As reações entre os envolvidos
Autoridades locais viram a faixa como uma provocação desnecessária, e pediram a FIFA que aplique seu próprio código de conduta. Além disso, em nota, o governo das ilhas afirmou não querer política misturada ao esporte e que o arquipélago não vire tema recorrente em confrontos entre as duas seleções.
O presidente argentino Javier Milei, que outrora já trouxe a polêmica de volta, tentou separar o episódio do conflito diplomático. Milei afirmou que se tratam de “coisas que acontecem em campo com os jogadores”. Enquanto isso, a vice-presidente Victoria Villaruel reforçou o slogan em uma rede social. Em postagem no X, ela reafirmou que “As Malvinas são argentinas”.
O líder dos Liberais Democráticos do Reino Unido, Ed Davey, afirmou que os jogadores argentinos que exibiram a faixa “deveriam ser excluídos da final”.
A Seleção Argentina volta a campo no próximo domingo (19), às 16h para a grande final da Copa do Mundo contra a Espanha.
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