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Por que os argentinos são tão apegados às Ilhas Malvinas?

Arquipélago foi palco da guerra mais marcante da história recente da Argentina e segue presente no imaginário popular, inclusive em cantos das torcidas de futebol

Por

Marcelo Júnior

Mural em Buenos Aires de Maradona com combatentes Argentinos

Foto: Reprodução / Internet

Ontem, dia 15, a seleção da Argentina eliminou a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026 e garantiu vaga na decisão.

No embalo da busca pelo bicampeonato, o êxtase da vitória de virada por 2 a 1 levou os argentinos a estenderem, no gramado, uma faixa da torcida com os dizeres: “Las Malvinas son Argentinas”, ou, em tradução, “As Malvinas são argentinas”. Contudo, a FIFA proibiu o uso da faixa durante a partida.

+ Leia mais: Argentina pode sofrer punições por faixa sobre as Ilhas Malvinas

O episódio gerou polêmica. Diante do precedente aberto em outros casos, como a proibição da camisa do Haiti por conter uma suposta “menção política”, parte do público cobrou uma posição firme da entidade máxima do futebol em relação aos argentinos, inclusive o governo das Ilhas Malvinas. O caso pode configurar violação ao Código Disciplinar da FIFA e deverá ser analisado pela entidade.

Todavia, surge uma questão em meio a toda essa história: de onde vem a relação da Argentina com as Malvinas? E por que os argentinos são tão apegados ao arquipélago?

Antes de tudo, é preciso entender a geografia das ilhas.

As Ilhas Malvinas — chamadas de Falkland Islands em inglês — formam um território britânico ultramarino, ou seja, localizado fora do Reino Unido. O arquipélago está situado no sul do Oceano Atlântico, a cerca de 500 km da costa da Patagônia argentina. O território é composto por mais de 700 ilhas de diferentes tamanhos. As ilhas possuem governo autônomo, enquanto o Reino Unido é responsável apenas pela defesa e pelas relações internacionais.

A capital é Stanley, localizada na Ilha Soledad (Malvina Oriental).

O APEGO EMOCIONAL ARGENTINO

As Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos, vivem uma disputa há séculos. Franceses, espanhóis e britânicos ocuparam o arquipélago em diferentes momentos. Em 1833, o Reino Unido reassumiu o controle das ilhas, enquanto a Argentina passou a reivindicar sua soberania, considerando o território parte inseparável do país.

A disputa ganhou força durante a ditadura militar argentina. Em meio à inflação, à crise econômica, à repressão política e ao desgaste do regime, os militares transformaram a recuperação das Malvinas em uma bandeira nacional, buscando recuperar apoio popular por meio do patriotismo.

Foi nesse contexto que, em 2 de abril de 1982, tropas argentinas desembarcaram nas ilhas, iniciando a Guerra das Malvinas. Os generais, porém, subestimaram a resposta britânica. O Reino Unido enviou uma grande força-tarefa ao Atlântico Sul e, após pouco mais de dois meses de combate, retomou o arquipélago.

O conflito terminou com a morte de 649 argentinos, 255 britânicos e três civis das ilhas. A derrota acelerou o fim da ditadura militar na Argentina. No Reino Unido, a vitória fortaleceu politicamente a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher e contribuiu para sua reeleição no ano seguinte.

E NAS QUATRO LINHAS?

Quem acompanha a história do futebol de seleções sabe que um confronto entre Argentina e Inglaterra sempre carrega um significado a mais. Isso porque, do lado argentino, existe um forte sentimento de revanche sempre que as duas seleções se enfrentam.

Essa história ganhou um de seus capítulos mais emblemáticos na Copa do Mundo de 1986. Apenas quatro anos depois da Guerra das Malvinas, argentinos e ingleses voltaram a se enfrentar, desta vez dentro de campo.

Naquele Mundial, Diego Armando Maradona entrou em campo carregando uma ferida ainda aberta para os argentinos. Marcou dois dos gols mais famosos da história das Copas: o “Gol do Século” e a polêmica “Mão de Deus”, que garantiram a vitória por 2 a 1 e transformaram aquela partida em muito mais do que um jogo de futebol.

Hoje, a maior parte da população das ilhas se identifica como britânica e defende a permanência sob soberania do Reino Unido. Para muitos argentinos, porém, a Guerra das Malvinas nunca foi apenas uma derrota geopolítica. Ela representa a perda de centenas de compatriotas enviados para a guerra por uma ditadura, em um conflito que continua marcando profundamente a memória nacional.

Essa memória permanece viva, inclusive, nas músicas da torcida da seleção argentina.

“En Argentina nací

Tierra de Diego y Lionel

De los pibes de Malvinas

Que jamás olvidaré “

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